sábado, 10 de novembro de 2012

Palavra


Não tente me pronunciar.
Sou palavra que não se grita.
Sou palavra que não se escuta.
Substantivo, careço adjetivar-me,
No vazio das lacunas da sentença
Onde vivo, sem verbo, sem vírgula...
Me encerro em minha grafia finita,
Aprisionada, sem nunca ter sido dita.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

(Des)alma




















Qual o tamanho da minha alma?
Será ela bem grande pra me proteger da chuva?
Ampla o suficiente pra abrigar meus dramas?
Forte o bastante pra me proteger dos bárbaros?
Demasiada transparente pra minha pouca fé?
Independente a ponto de seguir em frente sem mim?
Qual o tamanho de uma alma que não existe?

Corpo de Mulher













A fina renda que translucida,
A mulher por ela envolvida.
A cálida suave tez que convida
os dedos de uma mão atrevida.

A visão de seu corpo despido.
Tatuagem que desperta a libido.
Momento a espera de ser vivido.
A língua que busca o umbigo.

O calor úmido da nossa intimidade.
O florescer intenso das sensibilidades.
Frívola busca da inalcançável saciedade,
Porque ainda em você, já sinto saudade.