sábado, 16 de fevereiro de 2013

As Vestes Descerradas

The Embrace - Egon Schiele


Saudades da sua nudez...
Tire essas vestes que impedem
Que minha tez toque a sua tez,
Que meu desejo encontre o caminho.
As lembranças descortinadas.
Os sentidos provocados
Na contemplação de minhas saudades.
O olhar se perde, deslizando como água,
Acompanhando suas formas
E evapora te seguindo aos céus.
O corpo vai ao chão.
A alma se desprende e flutua.
O coração em minhas mãos
Me ofereço.
Em pedaços,
Danço a melodia do suave toque,
Das mãos que rasgando fronteiras.
Descobrem o que sempre esteve ali,
Esquecido...
Encoberto pelas vestes da alma feminina
Tão tênue...
Opaca...
Intransponível aos de pouca fé...
Descerrei improváveis abotoaduras,
Desatei invisíveis nós.
E,
Esplêndida,
Reluzente,
Viva,
Finalmente lhe conheci.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Passos



De quantos passos eu fui capaz em todos esses anos?
Quantos pra frente, quantos pra trás?
Seriam passos o bastante para chegar até ela?
Ir até ela seriam passos pra frente?
Ou seriam passos pra trás?
Ficar onde estou seriam passos em que direção?
Ir e voltar com passos pra frente?
Ou voltar significa passos pra trás?
Meus passos pra frente me levaram pra longe
Agora são passos em direção ao meu passado
Pegadas que eu não deixei no seu caminho
Passos sem sair de onde estou.
E querendo chegar até ela.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

morte



Eugene Delacroix - Orphan at the graveyard


Da morte que me acompanha,
Desde a minha infância,
Trago em mim o regozijo da vida.
Para a morte que me espreita,
Levo a serenidade,
De quem sabe quão finito é corpo,
E quão incerta é a alma.
Não, não haverá volta desse caminho,
Velho amigo que me espera paciente.
Dessas pequenas incertezas, que me habitam,
Construa um futuro, com os pedaços do meu passado.
Nas minhas saudades desenhe um horizonte.
Que seja agora, o que sempre pareceu nunca.
Que seja para sempre, o que durou tão pouco.

Celebro-te



Segure minha mão e vamos rodopiar pelo salão de nossos sonhos,
Cortinas de nuvens filtram a luz que invade o ambiente
E ilumina seu sorriso, piso num chão de ninféias
Saídas de um quadro de Monet, levito,
Guiado por seus passos de bailarina, vejo em volta,
Mirando os seus olhos que refletem anjos,
Seus passos carregam a leveza da brisa,
Enxergo através de seu tórax diáfano
O reluzir carmim de seu coração ardente ansioso por vida.
Deslumbro-me perante sua presença radiante,
Sol que me aquece e que em torno do qual orbito.
Procuro, em metáforas de gosto duvidoso e repetitivas,
Explicação para esse sentimento tão carnal, 
Tão terreno, tão humano,
Que nos move adiante em passos retos,
Sob o mesmo sol de todos os céus.
A anatomia de seu corpo é a mesma 
Estudada em escolas de medicina.
Nossa condição humana e comum nos distancia, cruelmente,
Das obras primas dos grandes artistas.
Mas, aos meus olhos apaixonados,
É tudo que há de se criar de maravilhoso 
Pelas mãos humanas.
Arte, ciência e religião se misturam em meu caldeirão,
Numa fórmula só minha de te reinventar, diariamente,
Em meus pensamentos e fantasias.