sábado, 28 de junho de 2014

O Escuro Quarto

Dos meus sonhos sou ator e platéia,
Um diretor distraído, um protagonista traído.
Sou roteirista tentando dar brilho noturno
A dias de pouco sol, sombrias linhas sendo escritas a dedo
Na areia infértil que cobre as rochas da história do mundo,
E que o vento dos dias cuida de apagar num único golpe.
No teatro noturno dos sonhos a única certeza
É que as luzes se acenderão, irrompendo em pleno epílogo.

Olhos abertos e fugidios buscam a saída ,
Dou as costas a mim mesmo e minhas estórias reticentes.
Dedos ásperos de tanto desenhar na areia,
Sigo a vida, indiferente...

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Ponteiros















O menino me foge,
Na inquietude veloz da manhã.
Adulto, eu me prostro,
Na prudente hora de uma tarde lenta.
O velho se esconde
Na assombrada surdina de um entardecer paralítico.

Eu serei todas as horas, de todos os dias.
Eu serei todos personagens dessa estória.
Serei encontros e desencontros
Dos ponteiros certeiros do relógio.