Serena superfície de espelho
A refletir o céu, o azul, o áureo
Brilho do sol da manhã recém nascida
A brisa fresca da madrugada casta
Dança travessa por meus recantos
Meu lago é profundeza
Perturbadora escuridão de mausoléu
Acobertando bestas, negras, a púrpura carne pútrida de memórias assentadas
O monstro vestido em sua carapaça
De verdades cruas serpenteia
Por entre o limbo das minhas dores
Revirando as águas, poluindo de
Desesperança o meu entardecer
Escolhi ter o brilho dos anjos nos olhos, que encanta e enche de esperança corações
Escolhi o generoso caminho
Do semeador
Que atira em solo alheio os grãos da sua própria ceia
Escolho mirar o sol, quando é dia
Porque minhas noites são inevitáveis e solitárias

