segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Noite de Natais



Talvez um amigo, um amor...
Nunca tempo suficiente
Para resgatar todas as memórias imperfeitas.
Talvez um belo embrulho com laço de fita.
Talvez seu conteúdo me agrade por um instante.
As insubstituíveis noites vazias e ausentes,
Sem presentes.
Sem o sorriso mais importante.
O silêncio maior das noites festivas,
Buscando o que quero no fundo das caixas,
Entre os papéis amassados das surpresas desvendadas.
Carregando em mim a fome das ceias não servidas,
O sono prematuro dos que se recusam a celebrar.
A felicidade dolosa do menino e sua noite de Natal.

sábado, 10 de novembro de 2012

Palavra


Não tente me pronunciar.
Sou palavra que não se grita.
Sou palavra que não se escuta.
Substantivo, careço adjetivar-me,
No vazio das lacunas da sentença
Onde vivo, sem verbo, sem vírgula...
Me encerro em minha grafia finita,
Aprisionada, sem nunca ter sido dita.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

(Des)alma




















Qual o tamanho da minha alma?
Será ela bem grande pra me proteger da chuva?
Ampla o suficiente pra abrigar meus dramas?
Forte o bastante pra me proteger dos bárbaros?
Demasiada transparente pra minha pouca fé?
Independente a ponto de seguir em frente sem mim?
Qual o tamanho de uma alma que não existe?

Corpo de Mulher













A fina renda que translucida,
A mulher por ela envolvida.
A cálida suave tez que convida
os dedos de uma mão atrevida.

A visão de seu corpo despido.
Tatuagem que desperta a libido.
Momento a espera de ser vivido.
A língua que busca o umbigo.

O calor úmido da nossa intimidade.
O florescer intenso das sensibilidades.
Frívola busca da inalcançável saciedade,
Porque ainda em você, já sinto saudade.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Todo


Agora sou parte e não mais um todo,
meu tudo é metade de uma história,
que agora é toda e plena,
e a outra metade é você inteira.

Doar de si próprio para si próprio.
Receber de mim em mim mesmo.
Saber que sou parte do que és
Não te distinguir em mim,
pois és inteira o que sou.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Só Engano


Na televisão um filme desinteressante
No copo um gole de uísque desinteressante
Na mente um gole de lembrança enfumaçada
No cinzeiro nada, eu não fumo
A pizza semi-pronta me espera no forno
A mulher semi-nua me espera na cama
A torneira goteja esquecida no banheiro
O cuco do relógio me lembra das horas
A janela aberta me mostra a cidade
A porta fechada me esconde do mundo
De algum apartamento cheirando a mofo,
Alguém se atreve a me ligar:
Apenas engano...

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Novo e o Reacionário




Um indivíduo e uma nova idéia, e essa nova idéia transforma a idéia de outros indivíduos, esses indivíduos se transformam em muitos que carregam essa nova idéia, até que a nova idéia chega a um indivíduo de atitude, e a nova idéia se torna uma nova atitude, que vai gerar vários indivíduos com uma nova atitude, então temos uma revolução.
Até que a nova idéia chega a um indivíduo que não quer mudar de idéia, e são muitos indivíduos com a antiga idéia, até que a nova idéia chega a um indivíduo de atitude, adepto da antiga idéia, e a antiga idéia se torna uma atitude reacionária à nova idéia, e indivíduos reacionários à nova idéia são gerados, então temos uma guerra.
Mas a nova idéia é forte, seus indivíduos carregam o frescor da novidade em seus corações, e os indivíduos reacionários carregam o peso da velhice de sua idéia nos ombros. E a guerra das idéias, travada pelos indivíduos de atitude, é vencida pelo novo. Agora a idéia vencedora não é mais a nova idéia, ela é “A” idéia, e envelhecerá...