terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Chocolate















Lhe aconselho que sorva
Em pequenas mordidas,
E deixe que derreta em teu palato
E se derrame por tua língua.
Olhos cerrados,
Que te aposse os sentidos,
E te adoce o humor.
Permita que invada tua laringe
O visgo, a doçura, a pujança
Do chocolate...

domingo, 22 de dezembro de 2013

Felicidades



Foi felicidade
Pura e cristalina.
Límpida água da nascente da vida,
Capturada por um efêmero instante,
Na palma da mão,
Para logo em seguida escorrer
E se misturar a todas as lembranças
Que escorrem juntas pelo riacho da vida
E se tornar minha história.

Foi felicidade
Brilhante e valiosa
Pedra preciosa no cascalho dos dias
Capturada pelo olhar atento de garimpeiro
Guardada entre poucas outras
No alforje das sorridentes recordações

Regozijo de um corpo alquebrado,
De pés descalços, machucados
Pela aspereza do cascalho.
Sigo o curso do rio,
Confortado pelo frescor da água.
Coletando minhas preciosidades.

Um dia o alforje ficará pesado demais.
Me sentarei à sombra,
Espalharei meu tesouro na areia,
E descansarei.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Trem

















Quando parte o trem...
Ninguém sabe para onde ele vai.
Ninguém sabe de onde ele vem.
Quando parte o trem...
Muitos filhos se vão, deixando pais,
Sem saber o que há além.
Quando parte o trem...
A cidade em sono profundo cai.
Ele carrega junto até as nuvens.
Quando parte o trem...
Ele leva consigo os soldados.
O padre agradece a Deus, amém!
Quando parte o trem...
Dentro vai um homem amado,
Deixando para trás o coração de alguém.
Quando parte o trem...
Arrastando consigo o passado,
Arrancando o presente e o futuro também.
Também quero partir com o trem.
Quando parte o trem?

17/08/1989 (15/12/2013)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Hora do Almoço


Que na praça a graça se faça.
No alvoroço do almoço do moço.
No intermédio do tédio no prédio.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A Poesia (Não) Sou Eu


A poesia sou eu!
Minha alma gritando aos meus ouvidos.
Uma porção de mim
Regurgitada num naco de papel.
Borras.
Rastros do meu caminho.
Hieróglifos da minha barbárie.
Não me decifre!
Hoje não...
Não quero que me diga que não sou poeta.
Não você, poesia.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Four Seasons


I am a green little leaf, I am brand new and tender
I just born in a brown and tall branch
Surrounded by beautiful tiny pink flowers
This is spring,
Time to bright the world with our colors


I am not so green anymore, I am becoming yellow
Just like the sun that makes me shine
Surrounded by noisy tiny happy children
This is summer,
Time to refresh the world with our shadow



Look at my color! I became brownish red
It´s very hard to grab my old friend branch
Surrounded by the fruits born from the flowers
This is autumn,
Time to fill the air with our dance in the wind


I am brown now, just like the soil that embraces me
It was time to leave the old and generous tree
Surrounded by the cold dew drops from the dry branches
This is winter,
Time to fertilize the soil to the miracle of spring

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Uma Certa Noite
















A delicada gota do orvalho da sua noite,
Que aguçou os sentidos sem ter saciado a sede
Ansiosos lábios buscam a fonte
De tão doce e cálido visgo
Grudado no meu mais profundo íntimo
Onde as minhas certezas, vez por outra,
Costumam derrapar.