sexta-feira, 28 de junho de 2013

Pequenas Paixões


Pequenas paixões que salpicam o coração.
Bolhas de sabão subindo ao céu,
Colorindo a paisagem, flutuantes.
Fugazes sentimentos sem obrigações.
Frágeis à pressão das alturas.
Voláteis, seguem o vento.

Sonho atingir grandes altitudes.
Sonho em enfrentar o vento.
Sonho com sentimentos permanentes.
Sonho com bolhas de sabão que nunca estouram.
Será que elas existem?

domingo, 16 de junho de 2013

Elementos

Mark Rothko - No.8























Semeador do fecundo solo do prazer humano.
Revolvendo a terra ressequida dos esquecimentos.
Buscando fundo o húmus transformador.
Inesquecíveis campos de verde relva,
Que envolvem o lânguido corpo,
Extenuado dos momentos cúmplices.
Me abraça o vento em rodopios
De pernas e braços incontáveis.
Me aquece o sol em raios de curiosos olhares,
Indiscretos, diante do êxtase do momento
Da germinação das adormecidas sementes,
De frondosa árvore mítica,
Vivaz tão somente em remotas lembranças da alma.
Desvaneço em torrentes de fluidos ardentes,
Diluído num embaraçar de veios de mel,
Me lambuzo da essência que jorra dessa urgência.
Saciada a sede da longa caminhada,
Pronto estou para sorver-te em eternos goles.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Transbordo



















Hoje eu quero.
Amanhã já não estarei mais
Presente, nessa querência
Que me invade agora,
E que me esvazia em seguida.
Quero enchente,
Que me afoga sem hora marcada.
Que me deixa sem fôlego,
Pra me resgatar em seguida.
Inundado de vida,
Vazio,
Pronto pra ser preenchido.
Pleno, até a borda,
Sedento, por cada vez mais.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Água Doce























Entrego-te a parte de mim que lhe cabe
Beba a água que lhe ofereço, sem medo.
Veja, ela não é cristalina, é a água turva dos anos,
É a água dos rios ancestrais, brotados nas planícies
Dos tenros anos, não traz em si o frescor evidente,
Que inocentes mãos levavam à boca.
Traz em si a batalha diária de continuar fluindo,
A esperança de ainda ser capaz de abrandar a sede
De seus ávidos lábios, temperar a calidez do seu corpo.

Não, eu nunca fui oceano, imponente, exuberante,
Não, eu nunca traria amargor aos seus lábios,
Nunca me confundiria às lágrimas em seu rosto.
Corro sereno entre as pedras do rio do destino,
Desviando-me, deixando minhas marcas.
Carregando em mim a mineral essência da vida.

Sente-se à margem dos meus dias,
Escute a música das minhas horas,
Enxergue arte nas cores que busco refletir,
Molhe os pés, refresque-se,
Levante-se e vá embora,
Levando consigo a poesia dos tempos porvindos.