quarta-feira, 12 de junho de 2013

Água Doce























Entrego-te a parte de mim que lhe cabe
Beba a água que lhe ofereço, sem medo.
Veja, ela não é cristalina, é a água turva dos anos,
É a água dos rios ancestrais, brotados nas planícies
Dos tenros anos, não traz em si o frescor evidente,
Que inocentes mãos levavam à boca.
Traz em si a batalha diária de continuar fluindo,
A esperança de ainda ser capaz de abrandar a sede
De seus ávidos lábios, temperar a calidez do seu corpo.

Não, eu nunca fui oceano, imponente, exuberante,
Não, eu nunca traria amargor aos seus lábios,
Nunca me confundiria às lágrimas em seu rosto.
Corro sereno entre as pedras do rio do destino,
Desviando-me, deixando minhas marcas.
Carregando em mim a mineral essência da vida.

Sente-se à margem dos meus dias,
Escute a música das minhas horas,
Enxergue arte nas cores que busco refletir,
Molhe os pés, refresque-se,
Levante-se e vá embora,
Levando consigo a poesia dos tempos porvindos.

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