sábado, 20 de outubro de 2012

We've Got Tonight


Cheguei em casa e seu perfume estava em meus dedos.
Suas formas decoradas em minha memória.
Uma saudade inexplicável percorria meus vazios.
Seus lábios calaram um grito,
Que os meus lábios nunca pronunciaram.
Meus olhos docemente se fecharam diante de seu brilho.
Nossas almas,
Nossas almas...
Um momento,
Devidamente arquitetado, divinamente construído,
Inesquecivelmente perfeito por uma noite.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Término


Não me leve muito a sério, 
Mesmo agora.
Apenas finja que não ouve,
Quando peço que vá embora.
Apenas finjo que não houve,
Quando jogo tudo fora.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Be

Be

Neil Diamond

Lost
On a painted sky
Where the clouds are hung
For the poet's eye
You may find him
If you may find him
There
On a distant shore
By the wings of dreams
Through an open door
You may know him
If you may
Be
As a page that aches for a word
Which speaks on a theme that is timeless
And the one God will make for your day
Sing
As a song in search of a voice that is silent
And the Sun God will make for your way
And we dance
To a whispered voice
Overheard by the soul
Undertook by the heart
And you may know it
If you may know it
While the sand
Would become the stone
Which begat the spark
Turned to living bone
Holy, Holy
Sanctus, sanctus
Be
As a page that aches for a word
Which speaks on a theme that is timeless
And the one God will make for your day
Sing
As a song in search of a voice that is silent
And the one God will make for your way




Qual Fernão Capelo Gaivota em alguns momentos da vida a solidão é a escolha certa para se conseguir algo maior. Atirei-me sobre um oceano de possibilidades, na certeza de encontrar um praia de areia branca e terno sol, onde possa descansar minha alma e meu corpo. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Amanhecer
















E agora que o onipresente sol invadiu minha solidão,
Onde esconderei meus fantasmas?
O dia nasce para quem abre as janelas.
E eu as tranquei antes do meu alvorecer.
Agora, a luz que invade as frestas da minha vida
É uma vaga lembrança, quase sem saudade,
De uma manhã que nunca terminava,
Agora que tudo não passa de um ontem à noite.

03/12/2012

A Tempestade Passou


Os fios brancos apareceram na minha cabeça,
As rugas se espalharam pelo meu rosto.
Sonhos ruins tomaram minhas noites,
Estendi a mão e você deu as costas.
Me agarrei a velhas árvores que sempre estiveram ali,
Antigas amizades, antigas lembranças.
Ruas já conhecidas que se encontram em diferentes esquinas.
Velhos fantasmas usando roupas novas.
Dias de pouco brilho que se confundem com noites insones.
Passos por uma calçada que não tem fim.
Olhos fixos na linha do horizonte.
Arquitetura sem perspectiva, engenharia sem alicerce.
História que se afunda na lama da amnésia.
Jardim de sentimentos ignorados, erva daninha da ingratidão.
Flor esquecida, os beija-flores não te visitam mais.

10/07/2009

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Imperativo


Imperativo

Vê se me ouve, vê se me sente
Vê se prova desse meu corpo ardente
Toma meu corpo, toma minha alma
Toma, guarda contigo minha calma
Vem pra cama, vem pra mim
Vem até aqui dizer que sim
Suba as escadas, suba o vestido
Suba em meu colo intumescido
Afaste os joelhos, afaste os pudores
Afaste o lençol estampado de flores

terça-feira, 17 de julho de 2012

Dois Mundos


Acordou com a cabeça latejando, os olhos mal conseguiam se abrir, um gosto amargo na boca. Sensações corriqueiras nesses últimos tempos. Seu rosto de menino, escondido por trás das lembranças da madrugada, mal justifica seus vinte poucos anos. Seu corpo recém formado exibe a exuberância das formas de quem sempre amou os esportes e a vida ao ar livre. Ao seu lado, na cama, uma menina, parecida nas formas e nos sonhos lentamente corroídos pela madrugada alcalina, ela dorme, sem nome, sem roupa, sem lembranças de um ontem que justifique esse agora, sua beleza quase infantil fica transparente aos pensamentos do rapaz, que busca longe as razões para o que se tornou sua vida, seu olhar atravessa os objetos, atravessa paredes, atravessa o tempo.
Agora ele está sobre uma pedra, o lugar é paradisíaco, como muitos na região onde nasceu e cresceu, o rio, de água cristalina, serpenteia por entre as pedras e de súbito despenca, deslizando por sobre uma laje de pedra, para, em seguida, acalmar-se na mansidão de um profundo poço onde o menino e seu amigo ensaiam o primeiro e corajoso salto do alto da pedra. O sol irrompe por entre a copa das árvores, em raios que lembram holofotes a iluminar um palco, o que faz eles se sentirem como astros de algum espetáculo circense daqueles que costuma visitar a cidade. A água fria denuncia que se trata de uma região serrana, o céu azul torna o sorriso dos meninos mais luminosos, o silêncio da floresta recebe com um abraço maternal as gargalhadas de pura felicidade da dupla.
Trata-se de um “debut”, é a primeira vez que ele vai dormir longe da família, na casa dos avós de seu inseparável amigo, a independência de se embrenhar na mata, de se despir e se atirar na água do alto de uma pedra, situação inimaginável para um menino criado com cuidado e rigidez. Um ritual de passagem da infância das brincadeiras inocentes e vigiadas, para algo selvagem e gigantesco, que ainda não tinha nome. Seu mundo estava maior, seu horizonte mais distante, como da vez que descobriu que era capaz de ir sozinho até a casa de sua avó, numa fantástica jornada de quinhentos metros.