terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Mar e A Montanha


Montanhas.
Oceanos.
As curvas.
A linha reta.
Os pés no chão.
O braço em vão.
Incerteza cristalina.
Inevitável sal.
Nos olhos.
Nos lábios.
O desmoronamento.
O naufrágio.

Um oceano sedento, insaciável.
Gigantesco em sua salinidade, intragável.
Sorvendo a doce água,
No frescor dos lábios ribeirões.
Insinuante Iara que se entrega
Em sentimentos curvilíneos.

A menor distância entre dois portos.
A vastidão plana do oceano.
A ausência que habita o tudo.
Eu sou o monstro mitológico,
Que nunca deixou seus sonhos
Sou o medo que alimenta as velas,
O porto que vai chegar.

Se perca na escalada.
Escorra sinuosa em cordilheiras.
Horizonte mais alto que os olhos.
Brilho de sol invadindo sombras.
Sou a árvore que guarda a nascente.
Sou a nascente que alimenta o mar.
Lentamente.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Hoje (de algum lugar nos anos 90)

Hoje
Não quero ser amigo,
Nem quero ser inimigo.
Não quero ser namorado,
Nem quero ser infiel.
Nem quero ser amado.
Não quero ser irmão,
Não quero ser filho,
Nem quero ser pai.

Quero ser apenas um vazio,
Inatingível.
Uma estrela de pouco brilho,
Despercebida,
Longínqua,
Sozinha no tempo e espaço.
Num lugar onde nem mesmo a vida me encontre.

Pois eu não quero viver,
Nem tão pouco morrer.
Pois não vejo a diferença,
Eu sou um vazio inatingível.

domingo, 5 de janeiro de 2014

A Ilha e Os Desertos

















Teu corpo é uma ilha
Cercado por todos os lados
Pelos meus desertos.
Sou uma criatura sedenta,
Querendo sorver-te.

Tenho sede na boca.
Tenho sede nos olhos.
Tenho sede na ponta dos dedos.
Tenho sede nos ouvidos e narinas.

Inunda meu peito e minha alma,
Me afoga os sentidos e
Mata minha sede por agora!

Vem...
Me inunda...
Me mata...
A sede...

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Chocolate















Lhe aconselho que sorva
Em pequenas mordidas,
E deixe que derreta em teu palato
E se derrame por tua língua.
Olhos cerrados,
Que te aposse os sentidos,
E te adoce o humor.
Permita que invada tua laringe
O visgo, a doçura, a pujança
Do chocolate...

domingo, 22 de dezembro de 2013

Felicidades



Foi felicidade
Pura e cristalina.
Límpida água da nascente da vida,
Capturada por um efêmero instante,
Na palma da mão,
Para logo em seguida escorrer
E se misturar a todas as lembranças
Que escorrem juntas pelo riacho da vida
E se tornar minha história.

Foi felicidade
Brilhante e valiosa
Pedra preciosa no cascalho dos dias
Capturada pelo olhar atento de garimpeiro
Guardada entre poucas outras
No alforje das sorridentes recordações

Regozijo de um corpo alquebrado,
De pés descalços, machucados
Pela aspereza do cascalho.
Sigo o curso do rio,
Confortado pelo frescor da água.
Coletando minhas preciosidades.

Um dia o alforje ficará pesado demais.
Me sentarei à sombra,
Espalharei meu tesouro na areia,
E descansarei.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Trem

















Quando parte o trem...
Ninguém sabe para onde ele vai.
Ninguém sabe de onde ele vem.
Quando parte o trem...
Muitos filhos se vão, deixando pais,
Sem saber o que há além.
Quando parte o trem...
A cidade em sono profundo cai.
Ele carrega junto até as nuvens.
Quando parte o trem...
Ele leva consigo os soldados.
O padre agradece a Deus, amém!
Quando parte o trem...
Dentro vai um homem amado,
Deixando para trás o coração de alguém.
Quando parte o trem...
Arrastando consigo o passado,
Arrancando o presente e o futuro também.
Também quero partir com o trem.
Quando parte o trem?

17/08/1989 (15/12/2013)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Hora do Almoço


Que na praça a graça se faça.
No alvoroço do almoço do moço.
No intermédio do tédio no prédio.