sábado, 29 de dezembro de 2012

Quebra-cabeça



Não há nada aqui pra você.
Junte suas poucas coisas e vá!
Junte suas poucas lembranças e me esqueça!
Junte seus parcos sentimentos e me odeie!
Junte seus trocados e entre num ônibus pra depois!
Nossos pedaços pelo chão, espalhados,
Quebra-cabeça que nunca encaixou.

Visita


Acordei hoje com saudade das palavras,
Faz tempo que não me visitam,
Com saudade das palavras de quem me visita,
E da visita que me deixou sem palavras.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Icemos velas



Aquele meu tudo virou tão pouco
Agora, diante desse quase nada
Daqueles sentimentos de outrora.
Formiga que se afoga em poças d’água,
Mirando o desafio de enfrentar o mar.
Temos um oceano a nos desafiar,
Icemos velas e nos lancemos
Na aventura de uma vida inteira!

Destino


Como dizer que
nas encruzilhadas da estrada,
nas sendas que trilhei, eu me perdi,
se todas as minhas sandices,
todos os meus desatinos
talharam meu caminho até hoje?





...E meu hoje é você.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Soneto do retrato distante



Retrato distante no tempo, no espaço.
Nas pinceladas de ilusão das suas cores.
Esvoaçantes panos em primaveris frescores.
Madrigal musa, dançando em lento compasso.

Espectro de luz pelo ar disperso,
Materialize-se em carne e mel.
Insinuante fêmea envolta em véus.
Deslize por minhas mãos, se faça verso.

Retiro fonemas de cada canto oculto
De um revelado corpo, não mais um vulto
Com olhar de artista, suas curvas, miro

Te misturo em cores primárias na paleta
Em argila modelo tuas formas concretas
No caderno invento rimas para seus suspiros

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Noite de Natais



Talvez um amigo, um amor...
Nunca tempo suficiente
Para resgatar todas as memórias imperfeitas.
Talvez um belo embrulho com laço de fita.
Talvez seu conteúdo me agrade por um instante.
As insubstituíveis noites vazias e ausentes,
Sem presentes.
Sem o sorriso mais importante.
O silêncio maior das noites festivas,
Buscando o que quero no fundo das caixas,
Entre os papéis amassados das surpresas desvendadas.
Carregando em mim a fome das ceias não servidas,
O sono prematuro dos que se recusam a celebrar.
A felicidade dolosa do menino e sua noite de Natal.