terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Celebro-te



Segure minha mão e vamos rodopiar pelo salão de nossos sonhos,
Cortinas de nuvens filtram a luz que invade o ambiente
E ilumina seu sorriso, piso num chão de ninféias
Saídas de um quadro de Monet, levito,
Guiado por seus passos de bailarina, vejo em volta,
Mirando os seus olhos que refletem anjos,
Seus passos carregam a leveza da brisa,
Enxergo através de seu tórax diáfano
O reluzir carmim de seu coração ardente ansioso por vida.
Deslumbro-me perante sua presença radiante,
Sol que me aquece e que em torno do qual orbito.
Procuro, em metáforas de gosto duvidoso e repetitivas,
Explicação para esse sentimento tão carnal, 
Tão terreno, tão humano,
Que nos move adiante em passos retos,
Sob o mesmo sol de todos os céus.
A anatomia de seu corpo é a mesma 
Estudada em escolas de medicina.
Nossa condição humana e comum nos distancia, cruelmente,
Das obras primas dos grandes artistas.
Mas, aos meus olhos apaixonados,
É tudo que há de se criar de maravilhoso 
Pelas mãos humanas.
Arte, ciência e religião se misturam em meu caldeirão,
Numa fórmula só minha de te reinventar, diariamente,
Em meus pensamentos e fantasias.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Reflexões Sobre a Minha Alma




Essa monumental paz que me abraça,
Apenas o canto dos pássaros a me incomodar
Com sua liberdade maior que a minha.
A busca do eterno em mim mesmo.
Minha alma implode, minha essência é pouca.
O mundo é do tamanho dos meus passos,
E ele começa logo ali, no desconhecido
Dos passos que ainda tenho a dar.
Meu mundo é muito, meus braços são curtos,
Minhas pernas cansam, minha mente dorme,
Minha alma volta sem ter visto o fim.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Composição



Papel repleto em espaço vazio abstinência libido
Rimas compasso versos de poeta atrevido
Infinitas notas soltas no ar mão procuram ouvidos
clave de sol papel nanquim inspiração sustenido
desilusão coração inspirado procura por abrigo

Óleo Sobre Tela


Moça com Brinco de Pérola - Johannes Vermeer

A grama aparada.
A flor que não murcha.
Aquela chuva nunca irá cair.
A mulher de todas as minhas vidas não se move.
O sol desbota sob a maldição da obra prima.
Uma assinatura me transporta à eternidade.
Minha humanidade me traz de volta pra poeira.
Minhas memórias se esvaziam como garrafa.

Agora sou vitrine,
Ontem era vidraça,
Amanhã serei museu.

Náufrago



Náufrago que aporta no refluxo de sua praia
Sedento pelo regato que escorre de suas matas
Suas voluptuosas ondas lambem meu corpo
e me arrastam para o calor de suas areias quentes

Quero o frescor infinito de beber de sua água
Quero o calor eterno de rolar em suas areias
Quero o ir e vir de sua maré de desejos
Quero o prazer em ondas do seu corpo mar