Perdi uma inspiração, alguém viu por aí? Bem novinha, mal se aguenta em pé sozinha, mas com um brilho único nos olhos.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Livre Palavra
Faço minhas as palavras soltas no ar,
as capturo
as capturo
e depois liberto,
em outro tempo,
em outro espaço,
em outro contexto,
em novas companhias.
Papel Moeda
Que falta faz o papel para quem
escreve! Companheiro, inimigo, cúmplice, confidente, recebe rabiscos, palavras
suaves e textos que deixam marcas profundas. Rasgado e amassado é sentenciado
pela falta de inspiração, interrogado por suas linhas que insistem em ficar em
branco, amigo fiel absorve, silencioso, as lágrimas que às vezes costumam cair,
resignado, escuta desabafos, antepara murros e tapas. Sorriso de musa o faz
mais branco, tornando as palavras, nele escritas, mais vivas e significativas.
A ignorância o encarde, é mofo que o corrói feito câncer.
Minhas folhas de papel eu guardo como
tesouro em cofre que só eu sei o segredo, volta e meia emito cópias feito Casa
da Moeda e saio para gastar com os amigos em festas de alma, em banquetes de palavras,
em orgias rimadas. Volto sem minhas cédulas de pouco valor, volto com o coração,
que mais parece baú, carregado em ouro doado por quem abriu seus cofres para
mim também.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Réu
Eu não nasci ontem,
tenho uma história,
tenho calos nas mãos
e rugas em meu rosto,
e um caderno de poemas
que me remetem ao passado,
tenho LP's arranhados pelo uso,
e fotos desbotadas pelo tempo.
Certidões de nascimento e de óbito
dividem espaço em minha gaveta,
jardim de flores e espinhos.
Me acusem por ter um passado
e me absolvam por não ter futuro.
tenho uma história,
tenho calos nas mãos
e rugas em meu rosto,
e um caderno de poemas
que me remetem ao passado,
tenho LP's arranhados pelo uso,
e fotos desbotadas pelo tempo.
Certidões de nascimento e de óbito
dividem espaço em minha gaveta,
jardim de flores e espinhos.
Me acusem por ter um passado
e me absolvam por não ter futuro.
domingo, 1 de abril de 2012
Banquete
Das esvoaçantes receitas rasgadas
Dos vinhos em taças hoje vazias
De talheres lambuzados de lembranças
Das sobras de palavras pútridas
Em pratos rachados pelo rancor
Dos guardanapos sujos pela bílis
de estômagos regurgitantes
Da mesa esquecida e posta
Para um banquete que não teve fim
Leis
Se são leis
Podem ser burladas
Podem ser revistas e revogadas
Mesmo que seja a lei da gravidade
Irrevogável é o tombo
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