Que falta faz o papel para quem
escreve! Companheiro, inimigo, cúmplice, confidente, recebe rabiscos, palavras
suaves e textos que deixam marcas profundas. Rasgado e amassado é sentenciado
pela falta de inspiração, interrogado por suas linhas que insistem em ficar em
branco, amigo fiel absorve, silencioso, as lágrimas que às vezes costumam cair,
resignado, escuta desabafos, antepara murros e tapas. Sorriso de musa o faz
mais branco, tornando as palavras, nele escritas, mais vivas e significativas.
A ignorância o encarde, é mofo que o corrói feito câncer.
Minhas folhas de papel eu guardo como
tesouro em cofre que só eu sei o segredo, volta e meia emito cópias feito Casa
da Moeda e saio para gastar com os amigos em festas de alma, em banquetes de palavras,
em orgias rimadas. Volto sem minhas cédulas de pouco valor, volto com o coração,
que mais parece baú, carregado em ouro doado por quem abriu seus cofres para
mim também.
Nenhum comentário:
Postar um comentário