terça-feira, 3 de abril de 2012

Papel Moeda


Que falta faz o papel para quem escreve! Companheiro, inimigo, cúmplice, confidente, recebe rabiscos, palavras suaves e textos que deixam marcas profundas. Rasgado e amassado é sentenciado pela falta de inspiração, interrogado por suas linhas que insistem em ficar em branco, amigo fiel absorve, silencioso, as lágrimas que às vezes costumam cair, resignado, escuta desabafos, antepara murros e tapas. Sorriso de musa o faz mais branco, tornando as palavras, nele escritas, mais vivas e significativas. A ignorância o encarde, é mofo que o corrói feito câncer.
Minhas folhas de papel eu guardo como tesouro em cofre que só eu sei o segredo, volta e meia emito cópias feito Casa da Moeda e saio para gastar com os amigos em festas de alma, em banquetes de palavras, em orgias rimadas. Volto sem minhas cédulas de pouco valor, volto com o coração, que mais parece baú, carregado em ouro doado por quem abriu seus cofres para mim também. 

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