Eu quero uma janela
que me permita ver o mundo
Mundo estático como um quadro,
pintado para preencher alguma parede vazia.
Eu quero uma porta
que me permita receber o mundo.
Mas que se feche pra mim,
toda vez que eu tente fugir.
Eu quero quatro paredes,
que me permitam esquecer o mundo.
E que o mundo se esqueça de mim.
Anônima alma de coração pequeno.
Eu quero uma cama,
que me permita sonhar o mundo.
Que me aqueça da frieza do inverno.
Que me proteja da aspereza do verão.
Eu quero uma televisão,
Que me permita inventar o mundo.
Janela das ilusões fantásticas.
Pintadas pra preencher os espaços da vida.
Eu quero um tapete,
que me permita ocultar as cinzas do mundo.
Sob as manchas de emoções passadas,
que desapareceram de minha memória.
Eu quero um abajur,
Que me permita enxergar um pedaço do mundo,
e que torne obscuro e sem valor,
tudo aquilo que não consigo ver.
Eu quero um relógio,
que me permita despertar o mundo.
Companheiro nas noites sem companhia.
Inquisidor me sentenciando a cada segundo.
Eu quero um mundo,
que me permita arrancar os quadros da parede,
e atira-los pela janela.
Um mundo sem portas, nem fechaduras trancadas.
Sem fugas.
Adeus mundo de quatro paredes.
Quero ouvi-lo coração anônimo.
Quero sonhar com você mundo terno.
Adeus inventores de espaços vazios.